CARTA ABERTA AOS ACTUAIS E FUTUROS LÍDERES DE AFRICA

“Este continente tem sofrido muito…precisamos de apoio e cometimento dos lideres jovens para continuarem a elevar a voz em nome dos pobres e marginalizados, e procurarem uma vida melhor para todos.” — Arcebispo Desmond Tutu, Abril 2007

De Angola a Zimbabué, abundam questões sobre o actual estado de Africa. Em todas as capitais listadas entre Abidjan e Zanzibar, não são novas as vozes crescentes dos filhos e filhas de Africa que desejam saber do destino das suas terras. Alguns expressam esta preocupação com uma esperança silenciosa, outros através de um medo evidente, e muitos outros olham em nenhuma outra direcção senão na dos seus líderes – aqueles que passaram a ser conhecidos como os capitães do navio do Estado. Há até quem diga que o futuro de Africa está nas mãos dos lideres do amanha não nos de hoje. Entretanto tem havido uma crise de liderança em Africa. Os sonhos e esperanças dos cidadãos deste continente foram desfeitos pelos nossos líderes pós-colonialismo – de heróis das lutas de libertação através dos líderes dos partidos de oposição que submergiram como consequência.

Os cidadãos de África merecem um futuro brilhante, e este começa com líderes com visão que possam responder aos desafios que Africa enfrenta como parte de uma Comunidade Global no Século 21. Eventos recentes no Continente são causa para varias preocupações: desde a crise de corrupção na Nigéria, a tensão politica na Africa do Sul devido as eleições de 2009 ou a crise politica no Quénia que está a transformar um país outrora prospero num mar de derramamento de sangue e tensões étnicas. O conflito em curso no Sudão, a actual crise no Chad ou o colapso económico e sócio-politico alcançado no Zimbabué causaram uma grande instabilidade nas vidas de milhares de africanos em todo continente.

Não tencionamos jogar o jogo habitual de apenas escutar os problemas, mas juntar as nossas vozes a aquelas de cerca de 920 milhões de africanos para exigir integridade nos processos políticos. Apesar de todas as nossas democracias serem jovens esperamos que os nossos líderes homens e mulheres o sejam por excelência e que respeitem o processo eleitoral e como tal os desejos do povo. Como jovens africanos líderes na Politica, Negócios, Saúde e Tecnologias de Informação, levantamo-nos juntos e comprometemo-nos mais uma vez com os ideais de uma verdadeira liderança, deixando as seguintes recomendações:

a) O lançamento de uma campanha de alto nível liderada pela UA para combater o tribalismo e desigualdades sob todas as suas formas em todo continente. Cada país deve estabelecer uma Comissão Contra o Tribalismo e Desigualdades (CATI) para lutar contra este flagelo e proteger os grupos minoritários vulneráveis. A CATI deve trazer a luz aqueles políticos que usam manipulações étnicas para perpetrar violência a justiça e impedi-los de participar em futuros actos políticos.

b) Os líderes políticos tem de ser líderes servidores e usar o seu poder e influencia como um instrumento para mudanças sócio-económicas ao invés de oprimir e aumentar a sua cobiça pessoal;

c) A criação e fortalecimento de instituições importantes (jurídicas e comissões eleitorais, etc…) que garantam em cada país a independência das Autoridades Reguladoras de Eleições; e O instrumento da UA de monitoria Eleitoral que vai monitorar as eleições deve ter um conjunto de directrizes bem definidas que vai servir para determinar se o processo é livre e justo;

d) A descoberta da nossa verdadeira identidade para adoptar e inculcar a base moral da honestidade, amor, paz e integridade. Acreditamos que pessoas integras não vão permitir que um país belo, com uma estabilidade sócio-económica como o Quénia entre num colapso político.
e) O fortalecimento das nossas economias nacionais, e sistemas que garantam a prestação de serviços adequados de saúde, educação e outros serviços sociais, que vão dotar todos os Africanos de condições para compartilhar um futuro melhor.

Como jovens líderes nas nossas várias esferas de influência, nós os Companheiros de 2007 do Arcebispo Desmond Tutu na Liderança [1] vemos o silêncio neste momento crítico como algo inconveniente. Acreditamos que o silencio e a inércia face aos desafios de ontem são responsáveis pelos problemas enfrentados hoje. Emprestamos as nossas vozes para a chamada de atenção dos lideres africanos – hoje e no futuro – para considerarem o bem comum no lugar de receios e ambições pessoais. Estamos orgulhosos daqueles que nos mostraram que liderança tem a ver com a prestação de serviços e convidamos a todos os outros lideres para que se mantenham fiéis ao espírito intencionado da liderança.

Assinado: Companheiros de 2007 do Arcebispo Desmond Tutu na Liderança [Brilliant Mhlanga (Zimbabwe), Dan Kidega (Uganda), Ed Mabaya (Zimbabwe), Erik Charas (Mozambique), ‘Gbenga Sesan (Nigeria), Grace Ofem (Nigeria), Hassan Usman (Nigeria), Herine Otieno (Kenya), Ipeleng Mkhari (South Africa), Lisa Kropman (South Africa), Mezuo Nwuneli (Nigeria), Niven Postma (South Africa), Saida Ali (Kenya), Takalani Musekwa (South Africa), Tariro Makadzange (Zimbabwe), Terence Sibiya (South Africa), Tracey Webster (South Africa), Yohannes Mezgebe (Ethiopia), Yolan Friedmann (South Africa)]


[1] Anualmente 20 indivíduos com alto potencial da Africa Sub-Sahariana são galardoados com o prestigioso título de Companheirismo de Arcebispo Tutu em Liderança, seguindo um processo rigoroso de selecção. O galardão é destinado a nata dos futuros lideres do continente, atingindo especificamente a próxima geração de lideres africanos de todos os sectores de actividade entre idades que variam de 25 a 39 anos. O programa de Companheirismo é coordenado pelo African Leadership Institute, e inclui um programa de formação coordenado pela SAID Business School na Universidade de Oxford. Para mais informações sobre o Companheirismo visite www.alinstitute.org

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